A Black Friday brasileira está passando por uma transformação profunda. Longe dos tempos em que bastava estampar um percentual vermelho na vitrine, o varejo descobriu que conquistar o consumidor moderno exige muito mais do que números atraentes. A palavra da vez é “experiência”, e ela está redesenhando completamente as estratégias comerciais para a data mais aguardada do comércio.
Os números revelam uma mudança de paradigma no mercado publicitário. Levantamentos recentes apontam que as marcas estão direcionando quase 40% de suas verbas de comunicação para ações de live marketing, priorizando eventos presenciais, ativações no ponto de venda e promoções que geram interação real com os clientes. Esse investimento demonstra a certeza de que o consumidor não quer apenas comprar, ele quer viver uma história.
As empresas perceberam que ativações memoráveis constroem vínculos emocionais, aumentam a fidelização e, de quebra, estimulam a compra de produtos complementares que nem estavam no radar inicial do cliente.
Outra transformação está na percepção temporal do evento. Pesquisas revelam que quase metade dos compradores já não enxerga a Black Friday como um fenômeno de 24 horas, mas sim como um período extenso que se espalha por todo o mês de novembro. Essa mudança de mentalidade abriu portas para campanhas mais sofisticadas e diluídas ao longo de semanas, permitindo que o varejo aqueça o público gradualmente, construa expectativa e ajuste estratégias conforme o comportamento do consumidor.
As lojas físicas encontraram sua nova razão de existir, tornando-se espaços de experimentação sensorial. O varejo está investindo pesadamente em transformar pontos de venda em ambientes imersivos, onde o cliente pode tocar, sentir, testar e viver o produto antes de decidir. Enquanto o digital oferece escala e praticidade, o físico entrega aquilo que nenhuma tela consegue reproduzir: a materialidade da experiência.
O live commerce e a força dos influenciadores
O live commerce emergiu como uma das estrelas da Black Friday moderna. Mais de um terço dos consumidores já realizou compras durante transmissões ao vivo em plataformas como TikTok e Instagram, participando de apresentações interativas de produtos, sorteios em tempo real e desafios que mesclam entretenimento com oportunidade de compra.
O marketing de influência continua sendo uma ferramenta poderosa na data. Estudos indicam que cerca de seis em cada dez consumidores se lembram de campanhas protagonizadas por criadores de conteúdo durante a Black Friday, e mais da metade já converteu essa lembrança em compra efetiva.
A chave do sucesso está na autenticidade dos influenciadores que genuinamente utilizam e recomendam produtos, estabelecendo uma ponte de confiança entre marca e público que nenhuma propaganda tradicional consegue igualar.
Por trás das experiências há uma engrenagem analítica sofisticada funcionando a todo vapor. Estratégias omnichannel que integram dados de múltiplos pontos de contato (e-mail, WhatsApp, SMS, redes sociais) permitem personalizar mensagens de forma cirúrgica, entregando a oferta certa, para a pessoa certa, no momento certo.
Começar as ativações antes da data oficial deixou de ser opcional para se tornar algo básico. O varejo aprendeu que engajar o público antecipadamente aumenta as taxas de conversão, distribui melhor o fluxo de demanda, evita gargalos logísticos e permite construir narrativas mais ricas ao redor das ofertas.
A Black Friday de 2025 não é mais sobre quanto você desconta, mas sobre o que você entrega além do desconto. Descontos são facilmente copiados, mas experiências verdadeiramente marcantes são inimitáveis, e é exatamente essasingularidade que define os vencedores da nova era do comércio brasileiro.


