O clima de retomada deve marcar o final de ano do varejo brasileiro. As projeções do IEMI – Inteligência de Mercado apontam que dezembro deve registrar crescimento em três dos principais segmentos ligados ao consumo natalino: vestuário, calçados, móveis e colchões, tanto em faturamento quanto em volume de peças comercializadas. O varejo de vestuário deve alcançar 957,1 milhões de peças vendidas, crescimento de 4,7% em relação ao mesmo período do ano anterior, com movimentação estimada em R$ 48,5 bilhões, aumento de 9,4%. O setor de calçados deve comercializar 123,4 milhões de pares, alta de 4,2%, e gerar R$ 12,6 bilhões em vendas, avanço de 9%. Já o mercado de móveis e colchões prevê 42,7 milhões de peças vendidas, crescimento de 7,6%, com faturamento estimado em R$ 14,1 bilhões, elevação de 10,4%. Segundo Marcelo Prado, consultor e diretor do IEMI, o cenário mostra que o consumidor deve priorizar compras planejadas e produtos de maior valor agregado, o que explica a diferença entre os crescimentos de volume e faturamento. Essa tendência de consumo, que emergiu com mais força em 2025, se consolida para o próximo ciclo e influencia diretamente a estratégia de empresas do varejo em ações promocionais, sortimento e posicionamento de preço. Para o ano de 2025, o estudo estima que o varejo de vestuário movimente R$ 314,9 bilhões, crescimento de 6,8% em relação a 2024, com previsão de vendas de 6,4 bilhões de peças, avanço de 3,1%. O setor de calçados deve somar R$ 81,5 bilhões em faturamento, aumento de 6,1%, e 822,5 milhões de pares vendidos, alta de 2,8%. Já o varejo de móveis e colchões deve registrar estabilidade em valor, com R$ 127,9 bilhões, crescimento de 0,2%, e retração em volume, com 394,6 milhões de unidades comercializadas, queda de 2,2%. Edmundo Lima, diretor-executivo da Associação Brasileira do Varejo Têxtil (ABVTEX), reforça que o desempenho do varejo no fim do ano tem efeito imediato na cadeia produtiva e no planejamento das empresas para o próximo ciclo. De acordo com o diretor, ‘o que vemos é um consumidor mais seletivo, informado e consciente do valor da sua compra, e isso exige que o setor esteja preparado com transparência, eficiência e modelos mais responsáveis de operação. Para sustentar o crescimento, é essencial evoluir em competitividade, ambiente regulatório equilibrado e desenvolvimento dos fornecedores, garantindo que a expansão aconteça de forma sustentável e inclusiva’.
Natal deve movimentar R$ 75 bi em moda, calçados e móveis
Black Friday 2025: quando a experiência vale mais que o desconto
A Black Friday brasileira está passando por uma transformação profunda. Longe dos tempos em que bastava estampar um percentual vermelho na vitrine, o varejo descobriu que conquistar o consumidor moderno exige muito mais do que números atraentes. A palavra da vez é “experiência”, e ela está redesenhando completamente as estratégias comerciais para a data mais aguardada do comércio. Os números revelam uma mudança de paradigma no mercado publicitário. Levantamentos recentes apontam que as marcas estão direcionando quase 40% de suas verbas de comunicação para ações de live marketing, priorizando eventos presenciais, ativações no ponto de venda e promoções que geram interação real com os clientes. Esse investimento demonstra a certeza de que o consumidor não quer apenas comprar, ele quer viver uma história. As empresas perceberam que ativações memoráveis constroem vínculos emocionais, aumentam a fidelização e, de quebra, estimulam a compra de produtos complementares que nem estavam no radar inicial do cliente. Outra transformação está na percepção temporal do evento. Pesquisas revelam que quase metade dos compradores já não enxerga a Black Friday como um fenômeno de 24 horas, mas sim como um período extenso que se espalha por todo o mês de novembro. Essa mudança de mentalidade abriu portas para campanhas mais sofisticadas e diluídas ao longo de semanas, permitindo que o varejo aqueça o público gradualmente, construa expectativa e ajuste estratégias conforme o comportamento do consumidor. As lojas físicas encontraram sua nova razão de existir, tornando-se espaços de experimentação sensorial. O varejo está investindo pesadamente em transformar pontos de venda em ambientes imersivos, onde o cliente pode tocar, sentir, testar e viver o produto antes de decidir. Enquanto o digital oferece escala e praticidade, o físico entrega aquilo que nenhuma tela consegue reproduzir: a materialidade da experiência. O live commerce e a força dos influenciadores O live commerce emergiu como uma das estrelas da Black Friday moderna. Mais de um terço dos consumidores já realizou compras durante transmissões ao vivo em plataformas como TikTok e Instagram, participando de apresentações interativas de produtos, sorteios em tempo real e desafios que mesclam entretenimento com oportunidade de compra. O marketing de influência continua sendo uma ferramenta poderosa na data. Estudos indicam que cerca de seis em cada dez consumidores se lembram de campanhas protagonizadas por criadores de conteúdo durante a Black Friday, e mais da metade já converteu essa lembrança em compra efetiva. A chave do sucesso está na autenticidade dos influenciadores que genuinamente utilizam e recomendam produtos, estabelecendo uma ponte de confiança entre marca e público que nenhuma propaganda tradicional consegue igualar. Por trás das experiências há uma engrenagem analítica sofisticada funcionando a todo vapor. Estratégias omnichannel que integram dados de múltiplos pontos de contato (e-mail, WhatsApp, SMS, redes sociais) permitem personalizar mensagens de forma cirúrgica, entregando a oferta certa, para a pessoa certa, no momento certo. Começar as ativações antes da data oficial deixou de ser opcional para se tornar algo básico. O varejo aprendeu que engajar o público antecipadamente aumenta as taxas de conversão, distribui melhor o fluxo de demanda, evita gargalos logísticos e permite construir narrativas mais ricas ao redor das ofertas. A Black Friday de 2025 não é mais sobre quanto você desconta, mas sobre o que você entrega além do desconto. Descontos são facilmente copiados, mas experiências verdadeiramente marcantes são inimitáveis, e é exatamente essasingularidade que define os vencedores da nova era do comércio brasileiro.
Varejo brasileiro projeta movimentação recorde de R$ 532 bilhões em 2025
O setor varejista brasileiro caminha para um ano de expansão expressiva, com projeções que apontam para uma movimentação financeira da ordem de R$ 532,1 bilhões ao longo de 2025. Os números, baseados no levantamento anual IPC Maps, indicam um crescimento de 11,3% em comparação ao ano anterior, consolidando o comércio como um dos principais motores da economia nacional. Apesar das perspectivas otimistas de consumo, o setor enfrenta um cenário ambíguo. Enquanto as famílias brasileiras demonstram disposição para aumentar seus gastos, o número de estabelecimentos comerciais registrou retração no último período. A queda foi particularmente acentuada entre os microempreendedores individuais (MEIs), com redução de 6,6% no total de empresas dessa categoria. O movimento reflete os desafios enfrentados pelos pequenos empreendedores em um ambiente marcado por taxas de juros elevadas, custos operacionais crescentes e acirramento da concorrência. Esse paradoxo evidencia que, embora o potencial de consumo esteja em alta, manter um negócio varejista operacional exige cada vez mais capacidade de adaptação e recursos financeiros. Vestuário lidera as projeções de consumo Entre os segmentos do varejo, o setor de vestuário confeccionado mantém sua posição de destaque, com previsão de movimentar R$ 182,7 bilhões em 2025 – representando mais de um terço de todo o potencial varejista do país. Além das roupas, o levantamento considera também gastos com artigos de limpeza, mobiliários, eletroeletrônicos, calçados, joias, bijuterias e armarinhos. Essa predominância do vestuário reflete não apenas o tamanho do mercado de moda nacional, mas também a consolidação de estratégias digitais que permitiram maior penetração junto aos consumidores brasileiros, aliadas a melhorias significativas na logística de entrega. Concentração regional permanece A distribuição geográfica do consumo mantém forte concentração nas regiões mais desenvolvidas do país. São Paulo lidera o ranking estadual com projeção de R$ 138,87 bilhões em gastos no varejo, seguido por Minas Gerais (R$ 55,6 bilhões), Rio de Janeiro (R$ 38 bilhões) e Rio Grande do Sul (R$ 36 bilhões). Desafios para capturar o mercado Para as empresas do setor, o cenário de 2025 traz tanto oportunidades quanto desafios. Com mais de meio trilhão de reais em jogo, a tendência é de intensificação da competitividade, aceleração dos processos de digitalização e busca crescente por personalização na experiência de compra. O consumidor brasileiro se mostra mais cauteloso em suas decisões, mas segue disposto a investir em segmentos estratégicos. Nesse contexto, as empresas que conseguirem equilibrar inovação tecnológica, eficiência operacional e compreensão das novas demandas dos clientes estarão melhor posicionadas para capturar sua fatia desse mercado bilionário. A expectativa é que o varejo continue sendo um pilar fundamental da economia brasileira, gerando empregos, movimentando capital e impulsionando a inovação em diversos setores do comércio nacional.


