Janeiro de 2026 promete marcar um capítulo decisivo para o setor varejista global. A NRF: Retail’s Big Show, que acontece anualmente em Nova York, retorna com o tema provocador “The Next Now” — uma mensagem clara de que o futuro não é mais uma promessa distante, mas uma realidade que já se desenha no presente. Com mais de 40 mil participantes esperados de 100 países e mais de mil expositores, o evento se consolida como o epicentro mundial das transformações do varejo.
Inteligência Artificial como protagonista
Se nos últimos anos a inteligência artificial figurava como uma das tendências importantes, em 2026 ela assume o papel de protagonista absoluta. A criação do AI Stage, um palco exclusivamente dedicado ao tema, simboliza essa mudança de paradigma. Com 12 sessões ao longo de três dias, o espaço vai explorar desde a personalização avançada até a implementação de agentes autônomos capazes de gerenciar operações complexas com mínima intervenção humana.
Os números são eloquentes: investimentos em IA no varejo devem alcançar US$ 632 bilhões até 2028, segundo a IDC. Porém, o verdadeiro desafio não está em experimentar a tecnologia — 98% das empresas já fazem isso — mas em capturar valor real. Apenas 26% conseguem retorno efetivo, e somente 8% escalam com impacto significativo.
Na NRF 2026, a discussão não será sobre se deve-se adotar IA, mas como fazer isso de forma ética, sustentável e rentável. Temas como robótica em supply chain, análise preditiva autônoma e segurança de dados terão destaque, mostrando que a tecnologia deixou de ser um diferencial para se tornar uma necessidade competitiva.
Experiência sem atrito: novo padrão de excelência
O conceito de omnicanalidade, tão discutido nos últimos anos, já não impressiona mais. Ele se tornou uma expectativa básica do consumidor. A nova fronteira em 2026 é a experiência frictionless — uma jornada de compra tão fluida que a tecnologia se torna invisível.
Pesquisas apontam que a principal fonte de frustração dos consumidores está nas falhas de promessa de estoque e entrega. A falta de acuracidade do inventário em tempo real custa bilhões anualmente em vendas perdidas e operações logísticas ineficientes. Por isso, varejistas estão investindo em plataformas de dados unificadas (CDP – Customer Data Platform) que funcionam como o cérebro da operação, garantindo que cada ponto de contato entregue exatamente o que foi prometido.
A expectativa é que a NRF 2026 mostre casos concretos de como empresas estão eliminando atritos em toda a jornada — desde o momento da descoberta do produto até o pós-venda, integrando dados, IA e serviços em uma experiência coesa e confiável.
Lojas físicas: reinvenção e propósito
As lojas físicas estão passando por uma transformação profunda. O conceito de Hub OmniPDX — uma loja viva, inteligente e conectada — ganha força. Não se trata mais apenas de um ponto de venda, mas de um centro de serviços, experiências e conexão com a comunidade.
O retailtainment (união de varejo e entretenimento) emerge como uma estratégia essencial. Lojas conceito estão utilizando IA para oferecer serviços assistidos, criando experiências imersivas que vão além da transação. Recursos como realidade aumentada — a exemplo da Lowe’s, que usa a tecnologia para guiar clientes em suas megalojas e projetar produtos em casa — demonstram que a loja física tem papel fundamental quando oferece algo que o digital não pode replicar.
Sustentabilidade e novos modelos de negócio
A sustentabilidade deixou de ser um diferencial para se tornar uma obrigação. Na NRF 2026, temas ligados a ESG (Environmental, Social and Governance), economia circular e práticas éticas estarão em pauta, refletindo a pressão crescente de consumidores e reguladores por operações mais responsáveis.
Paralelamente, novos modelos de negócio ganham espaço. Sistemas de pagamento invisíveis, estratégias buy now, pay later e a integração phygital (físico + digital) estão redefinindo como as transações acontecem. O objetivo é criar experiências que sejam não apenas convenientes, mas também alinhadas aos valores e expectativas de uma nova geração de consumidores.
Talentos e cultura organizacional
Um dos pilares menos visíveis, mas igualmente cruciais, é o investimento em pessoas. A NRF 2026 deve reforçar que experiências excepcionais só acontecem quando as equipes estão preparadas, engajadas e apoiadas por uma cultura organizacional sólida.
Temas como liderança empática, tomada de decisão em cenários complexos e desenvolvimento de talentos permeiam a programação. A mensagem é clara: tecnologia é ferramenta, mas são as pessoas que transformam estratégias em realidade. Empresas que colocam gente no centro da operação não apenas retêm talentos — elas constroem vantagens competitivas duradouras.
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